Performance Ausências
Dudu Tsuda, Marcos Bastos e Karina Montenegro
“Ausências” combina sons eletrônicos, digitais e mecânicos com projeção de vídeo em tempo real. A composição audiovisual constrói um universo de ruídos processados e texturas em que o feedback é usado como recurso generativo. Apesar da construção cênica baseada na ocupação do palco por máquinas e por um desenho do espaço, com iluminação que valoriza os aspectos plásticos dos equipamentos usados, o trabalho explora um universo que tende ao escuro e ao silêncio.
Paisagens sonoras contemplativas e intimistas, imagens que buscam o intervalo entre os frames, a saturação e a granulação, em tempos lentos. Em sete movimentos que se entrelaçam por meio do improviso construído em cima de células estruturais previamente desenvolvidas, a composição mistura elementos Pop com recursos da música neo-concreta e eletroacústica, embalados em timbres e texturas que buscam exprimir delicadeza e melancolia como formas de evocar memórias e ausências
Santiago Garcia Navarro (Arg)
Elaine Tedesco (Poa)
André Parente (BR)
mediador: Rodrigo Minelli
Diante da complexidade crescente das tecnologias de rede, surgem formas de uso cotidiano de equipamentos e programas que propõe tipos de negociação visando desviar as prescrições presentes nos usos pré-fabricados dos aparelhos. É uma prática que se desdobra, também, em formas de negociação entre artistas, curadores, instituições culturais e patrocinadores (na paisagem complexa onde tramitam os projetos que propõe-se explorar os desdobramentos tecnológicos em andamento). São procedimentos que exploram os recortes artesanais, muitas vezes ligados ao improviso e à gambiarra, que surgem com a disseminação das tecnologias portáteis. Mais que subverter aparelhos e programas, no entanto, são dinâmicas que indicam processos em que o compartilhamento e a transparência prometem espaços públicos em rede onde o coletivo e os processos de baixo para cima são motores de práticas civis até então restritas. No entanto, o âmbito mais crítico de negociação não acontece necessariamente nesta esfera de maior pluralidade, mas sim em configurações onde há convivência de interesses discrepantes que precisam ser mediados e reconfigurados em meio a estruturas mais rígidas.
Santiago Garcia Navarro
Vai discutir temas relacionados com o problema da deriva urbana, baseado em suas experiências de sete anos como “derivante crônico”. O tema será abordado de uma perspectiva mais ampla, que discute o conceito para além de suas relações com novas tecnologias. Tomando este ponto-de-partida ampliado, vai abordar como as tecnologias contemporâneas tem modificado o conceito de deriva. O objetivo é discutir a condição do “caminhante” na cidade hiperconectada, o que essa prática oferece como potencial de desvio respeito aos condicionamentos da modelização contemporânea do corpo na cidade. No final, tudo isso tem a ver com uma ética, no sentido de um modo de criar as próprias condições de ação e pensamento no contexto atual.
Elaine Tedesco (BR)
Arte Construtora
O Projeto Arte Construtora ocupa espaços arquitetônicos e ambientes naturais situados em diferentes cidades brasileiras com propostas específicas para os lugares escolhidos, transformando-os temporariamente. Durante o processo de criação a interação entre os participantes e os locais escolhidos resulta numa ação artística que emprega como estratégias a prospecção e a camuflagem. As intervenções do Arte Construtora, de caráter rarefeito e efêmero, mimetizam elementos de tempos e naturezas distintas, criam um intervalo no transcurso da memória dos lugares e, convidam os observadores a compartilhar essa exploração poética pensando sobre seu uso e seus possíveis destinos.
Rodrigo Minelli
Rodrigo Minelli é Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUCSP (2007) e possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (1988) e mestrado em Sociologia da Cultura pela Universidade Federal de Minas Gerais (1994). Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal de Minas Gerais. Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em Comunicação, atuando principalmente nos seguintes temas: vídeo, videoarte, mídias móveis, arte eletrônica e novas tecnologias. É idealizador do coletivo FAQ e um dos coordenadores do programa vivo arte.mov e do festival vivo arte.mov.
Kruno Jost, Ricardo Palmieri, Paloma Oliveira e Mateus Knelsen
O projeto propõe-se a discutir as dicotomias presentes entre o universo individual e o universo coletivo, os conceitos de público e privado e fronteiras mentais, por meio de um processo de workshops e uma video-instalação interativa, que abordem a vivência e a experimentação de narrativas múltiplas e simultâneas dentro do espaço das cidades. A cidade é o plano de atuação da fórmula imagem+ação=imaginação no qual subjetividades colidem a todo momento, não somente no encontro entre sujeitos, mas nas interpolações de signos de expressão particulares que evocam a experiência do inconsciente coletivo por meio do fluxo de informação na urbe. Resgatando uma proposta situacionista, o projeto visiona a criação de um processo aberto e coletivo em busca da construção de novas cartografias urbanas – psicogeografias. Para a criação destas cartografias urbanas, dados serão captados por participantes do evento, que coletarão sua experiência particular por entre as ruas e grupos sociais, cujas trajetórias narrativas serão representadas gráfica e cineticamente pelo movimento de avatares-robôs sobre mapas imaginários.
Começa o simpósio do Festival arte.mov na cidade de Porto Alegre com tema: “novas cartogafias urbanas: ecologia das linguagens emergentes” Saiba mais sobre o Tema do simpósio e os palestrantes.
Novas cartogafias urbanas: ecologia das linguagens emergentes
Um dos aspectos da atual cultura em rede é a intersecção entre seus componentes, tornando mais intenso um processo de dissolução das fronteiras entre linguagens (que já foi marcante no século XX e se consolida no século XXI). Os resquícios de separação entre as artes tornam-se insustentáveis, ainda que nem todos os circuitos sejam permeáveis aos fluxos porosos resultantes do cruzamento entre redes, e da sobreposição entre redes e espaço físico produzidas por dispositivos como celulares, GPS e outros. Por isso, é importante entender os fluxos em rede como um sistema complexo, que agrega novas camadas aos espaços geográficos e urbanos existentes (resultando em ambientes marcados pela mistura entre elementos físicos e virtuais).
Mobilidades e imobilidades urbanas
Que formas de deslocamento são possíveis num contexto de crescente complexidade dos enclaves urbanos de grandes dimensões? Nestes espaços, cuja inviabilidade estimula formas de não sociabilidade e acentua diferenças, qual o papel das tecnologias em rede, que supostamente acenam com novas formas de aproximação e abrem diálogos antes inexistentes? Há aspectos do urbanismo contemporâneo que geram imobilidade (social, física) ao invés de estimular o deslocamento. De que forma as redes inseridas no espaço público, assim como as novas formas de linguagem que surgem neste contexto vêm problematizando esta tensão entre fluxo e ausência de movimento? O que estas redes tem oferecido em termos de alternativas plausíveis para os problemas das grandes cidades?
mediador: Lucas Bambozzi
Cinema Expandido – As Poéticas do Espaço
Martijn van Boven (NL)
Libertando a imagem da sua moldura. A exploração do cinema sinestésico, imagens abstratas e personalizadas geradas através de novas tecnologias. Expondo histórias em múltiplas telas, a expansão do cinema em várias camadas de interpretação. Cinema Expandido inclui todos os meios de produção, reprodução e técnicas de projeção – exceto os tradicionais – para o próprio cinema.
Durante os anos 1960 e início de 1950, um pequeno número de artistas radicais americanos e europeus emergentes do movimento de cinema underground americano, usaram a película como um meio de performance ao vivo. Artistas começaram a usar “filmes encontrados” e reciclavam filme velho em seu próprio trabalho. Além disso, os cineastas estavam experimentando com as propriedades mais mínima e os elementos básicos do meio, luz, som e montagem. Novas tecnologias, como aparelhos eletrônicos e computadores digitais foram incorporados ao processo de produção de filmes. O Cinema Expandido tornou-se um gênero durante todo o movimento de vanguarda americano e europeu.
Pode-se dizer que o Cinema Expandido introduziu uma visão mais democrática na relação entre o público, a obra de arte e o artista. Ao introduzir a atuação de palco no filme o cineasta ou criador desenvolveu um contato mais direto com o público. Participação, interação e confronto entre as duas partes tornaram-se um modelo no qual o filme vai se constituindo.
Ao derrubar o ‘autor de cinema ” mainstream , a vanguarda introduziu uma relação mais pessoal e direta entre a autoria e a resposta da audiência, para contestar o regime do cinema comercial, tanto na produção como na recepção.
Onde o Cinema Expandido pode ser encontrado hoje? Como pode a metodologia do Cinema Expandido do século 20 ser utilizado dentro da grande variedade de possibilidades tecnológicas que os cineastas contemporâneos têm à sua disposição hoje em dia?
Ao olhar para peças clássicas do cinema expandido, obras de cineastas como Anthony McCall, John Whitney, LeGrice Malcolm e seus sucessores contemporâneos como Pablo Valbuana, Kooimans Jeroen, Visual United Artists, Bruce McClure e síntese granular, um entendimento claro do cinema expandido e o seu potencial será trazido à luz para uma platéia de artistas e cineastas também.
Colaboração artística através de redes e dispositivos móveis e sua inserção nos espaços urbanos.
Lenara Verle (PoA)
Em um mundo conectado multiplicam-se as ferramentas e processos de criação nos quais a colaboração entre criadores tem um papel fundamental. Os dispositivos móveis surgem como uma opção cada vez mais utilizada para o acesso e criação de conteúdo colaborativo.
Fotos: Artur de Leos
Diversas iniciativas de arte colaborativa englobam características do espaço geográfico, construindo propositada ou inadvertidamente uma topografia própria nas intersecções entre conexões geográficas e virtuais. O espaço urbano, com sua alta densidade humana e tecnológica, ocupa uma posição privilegiada, apresentando-se como centro de experimentação para essas reconfigurações geográfico-artísticas.
Gustavo Spolidoro é cineasta, produtor, professor de cinema da PUC/RS e Coordenador de Curadoria do Cine Esquema Novo. Dirigiu 15 curtas. O primeiro deles, Velinhas ( 1998) foi exibido no Festival de Berlim. Outros, (2000), venceu 14 prêmios no Brasil e no exterior, e Início do Fim, (2005), participou da Competição de Sundance e de Rotterdam, (2006). Dirigiu os longas Ainda Orangotangos – Melhor filme no 13º Festival de Milão e Melhor Opera Prima no 12º Festival de Lima, e Como o Inter Conquistou o Mundo, e foi também produtor executivo do longa Cão sem Dono, de Beto Brant e Renato Ciasca.
Para a mostra “Eu não quero ser cineasta”, Spolidoro selecionou realizadores gaúchos (ou que desenvolveram parte de suas carreiras no RS), que flertam com o cinema na construção das suas obras. São artistas que rompem com a distinção formal entre formatos, mídias e gêneros, fugindo dos excessos narrativos do cinema tradicional e experimentando uma linguagem, uma proposta visual inusitada e permitindo um outro olhar sobre o cinema.
OBRAS EM EXIBIÇÃO:
- Um Instante de Estática
6’/Porto Alegre – RS
Direção: Tentacle Ensemble Collective
Sinopse: Em “Um Instante de Estática” a câmera é atemporal e presencia mais de uma dimensão. A enigmática experiência estética ocorre mediante a sobreposição de um indivíduo específico. Ele experimenta fenômenos mentais colando camadas de sua existência. Não há razão aparente para os acontecimentos, pois não existem caminhos errados. O sentimento é a percepção real das etapas anteriores. Entrar é sair. Prosseguir é retornar ao início.
- Ginástica
04’57″/ 2007/ Porto Alegre-RS
Direção: Mariana Xavier
Sinopse: GINÁSTICA é um vídeo de música, luz e coreografia, gravado em três aulas de aeróbica em uma academia de Porto Alegre.
- Piknik
5’17”, 2007
Direção: Luiz Roque & Mariana Xavier
Sinopse: Quatro amigos fazem um agradável piquenique em um lindo jardim, quando algo inesperado acontece.
- Projeto Vermelho
5’/ 2006
Direção: Luiz Roque / Fotografia & Câmera: Gustavo Jahn / Montagem & Som: Letícia Ramos Sinopse: “Processo alternativo de formação de nuvens”.
- Sentinela
4”44”/
Direção: Cristiano Lenhardt
Sinopse: Uma fração de tempo do universo de um sentinela aquático, cuja tarefa é proteger a honra sensível do reino o qual habita. Lançando mão da beleza, ele inflama o ar retumbando a sua presença. Ao sol se pôr, fogos explodem fora do alcance dos homens. A beleza é ofertada em abundância. É definida a cor de uma situação. E o terreno se faz ausente.
Sinopse:Filme realizado com a técnica de animação Stop MOTION a partir de camera LOMO OKTOMATIC 35mm composta por 6 lentes
- Peço-lhe que volte e fique contente
1’45″/2009
Direção: Dirnei Prates
Sinopse: Apropriação de cenas do filme “limite”, Mário Peixoto / 1931
- Águas De Maio
06’18″/ 2010
Direção:Nelton Pellenz
Sinopse: Noite quente, chuva fina.
- Especulativo Móvel
05’22”/ 2010/Porto Alegre, RS, Brasil
Direção, edição e fotografia: James Zortéa / Trilha original: Marcelo Armani
Sinopse: Um agente realiza infiltrações analógicas ao arremessar nanquim e outras substâncias líquidas sobre a objetiva da câmera digital. No registro de paisagens urbanas, uma mancha atua sobre o plano e suas interferências determinam a narrativa do filme.
ONDE E QUANDO:
Mostra “Eu não quero ser cineasta”
Dia 07/11 – 17h às 18h30
Apresentação e debate com o curador GUSTAVO SPOLIDORO
A programação do Vivo Arte.Mov em Porto Alegre vai abrigar o primeiro Drumbeat do Rio Grande do Sul, uma espécie de roda de conversa sobre ideias e projetos colaborativos que precisam da internet livre e aberta para acontecer. O objetivo do evento é reunir pessoas com conhecimentos diversos. Artistas, designers, desenvolvedores, curiosos e criativos em geral: sejam bem-vindos!
Se você tem uma boa ideia de projeto para a internet, mas precisa de parceria para colocá-la na prática, o Drumbeat pode ser o lugar ideal para isso. Não é preciso ter conhecimento técnico para contribuir, basta ter vontade de tirar ideias do papel e trabalhar em grupo com energia e disposição.
O tema da internet livre e aberta vai permear todo o encontro. Afinal, manter espaços e conhecimentos livres na web é o que garante a viabilidade de projetos colaborativos. Tecnologias abertas, que permitem a apropriação e a ressignificação, proporcionam um ambiente profícuo para o florescimento de boas ideias.
Sobre o Drumbeat
O Drumbeat é promovido pela Mozilla Foundation (a mesma do Firefox) e teve lançamento mundial no Rio de Janeiro no início do ano. Desde então, já foram realizados encontros semelhantes em São Paulo, São Carlos, Maceió, Florianópolis e Belém.
Fora do Brasil, o Drumbeat já passou por Toronto, Vancoucer e Montréal (Canadá), Washington DC, San Diego, Nova York (EUA), Bruxelas (Bélgica), Córdoba (Argentina), Jordânia, Bósnia, Bolivia, Sydney (Austrália), Pachuca, Hidalgo (México), Abuja (Nigéria) e Amsterdã (Holanda).
O Festival Vivo arte.mov é o maior e mais abrangente festival de arte em mídias móveis e locativas do Brasil, e traz o melhor da produção realizada com aparelhos portáteis: celulares, câmeras digitais, GPS’s, entre outros. A primeira edição aconteceu em Belo Horizonte, em 2006. Agora em sua quinta edição, consolida-se como o maior e mais abrangente no pais e amplia sua atuação para Belém, São Paulo, Porto Alegre e Salvador, além de Belo Horizonte. A proposta é incorporar as particularidades de cada região, realizando um mapeamento inédito da produção local e internacional da Arte em Mídias Móveis e Locativas. O festival faz parte do Programa Vivo arte.mov que reúne uma série de iniciativas e eventos em torno da cultura da mobilidade.
A parceria entre o Mozilla Drumbeat e o Festival Vivo arte.mov reúne pessoas criativas em torno de grandes idéias em espaços interativos de diálogo para promover a utilização crítica da internet e partir para ações práticas que tenham relevância local. A ação integra regiões do país em torno do debate da internet aberta na concepção de projetos empreendedores que revolucionem as nossas formas de pensar e fazer arte e tecnologia.
O festival arte.mov chega a Porto Alegre envolvendo diversos espaços com mostras, performances, exposições e palestras.
Na noite de Abertura, dia 03 de novembro de 2010, o destaque foi a performance do Gambiociclo, um produto da gambiologia de Fred Paulino e Lucas Mafra.
A abertura da exposição, contou com um grande público da cidade, além dos artistas, convidados e a produção do evento.