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Vivo ARTE.MOV

Notícias.

  1. 21 11 2011

    Eletronika 2011: Tempo Ruim E Ruído Eletrônico

    Natasha Felizi 21 de nov.

    O que é mais assustador sobre o tempo ruim, chuvoso e nublado? A melancólica solidão das pessoas em casa? A romântica sensação de pequenez diante das forças da natureza? Raios que partem o céu e, eventualmente, árvores e pessoas ao meio? O barulho atrasado dos trovões? O risco de queda nas telecomunicações? Paremos antes das catástrofes naturais. O fim de semana do Eletronika foi de chuva e sol em Belo Horizonte, mas o tema da edição, ruído, tem uma relação estrita com o mau tempo, que perturba a transmissão de rádios e satélites.

    Quando perguntamos a Lucas Bambozzi sobre a reincidência de trabalhos de temática meteorológica — presente na instalação performática Temporal de Santa Rosa, de Brian McKern, na retrospectiva Weather Diary de George Kuchar e Tormenta Azul Brilhante, de Luiz duVa — ele disse não ter sido de caso pensado, mas que é o barulho e a ambiência do mau tempo o que melhor traduz a ideia de ruído que os curadores quiseram explorar no Festival.

    Tormenta Azul Brilhante – Luiz duVa

    vimeo.com/17080827

    São imagens do horizonte marítimo inglês que são apresentadas em uma videoinstalação. Segundo o site do artista, o objetivo é remter a paisagens emocionais arquetípicas que têm como objetivo transcender os limites própria existência. Talvez duVa tenha escolhido retratar o mar da terra de Wordsworth e Joseph Conrad pela quantidade de sequelas que a experiência marítima, frequentemente associada à transcendência pela loucura deixou em seus registros artísticos — mas ele também passou por uma residência artística no país, em 2008, quando gravou as imagens. Na instalação, a ideia de ruído remete às variações randômicas de informação de brilho e cor que decorrem da variação da atividade eletrônica. É fácil perceber a presença do noise quando você resolve fotografar os amigos no escuro, sem flash, forçando o ISO e sai com a cara verde e aspecto de televisão fora do ar.

    Temporal de Santa Rosa – Brian McKern (Uruguai)

    vimeo.com/14681875

    Em 30 de agosto, o Uruguai celebra o Dia de Santa Rosa. No Uruguai, os devotos atribuem a reincidência de tormentas, chuvas e intensa atividade elétrica naquela zona de latitude aos rogos da santa. Em 2002, Brian McKern gravou o ruído da radiostática – interferência da eletricidade sobre as ondas de rádio – em Montevidéu. Sua intenção, como explica o site do projeto, era capturar a inversão do ‘ruído’ transformado em informação’. No contexto climático das tormentas, a falta de clareza da informação radiofônica informa sobre a aproximação do temporal. Em sua primeira versão, Temporal de Santa Rosa era uma manipulação dos ruídos – a captura e submissão do caos atmosférico à ordem estática e sequencial da mídia.

    No mesmo período, com a ajuda de Oscar “Canario” Sánchez – um dinossauro da radiotelegrafia uruguaia – o artista coletou registros das perturbações atmosféricas por satétlites meteorológicos e, em parceria com Gabriel Galli, passou a manipulá-las, junto com o som, em tempo real. Transformado em instalação performática, o experimento com tempo real recuperou o aspecto aleatório e caótico da dinâmica das tormentas, ainda que sob os desígnios do artista. Mas até aí, segundo à fé uruguaia, o excesso de eletricidade estática na atmosfera era fruto dos desmandos de Santa Rosa. Se a tensão deus ex machina/machina ex deo for levada a cabo, pode ser que McKern venha a aparecer em alguma apresentação como a própria encarnação da Santa manipuladora dos trovões. Há ainda uma terceira camada. O poema perifônico (1927) do poeta Alfredo Mario Ferreiro presta homenagem ao futurismo uruguaio e é transmitido como mensagem radiofônica transcrita sobre a projeção:

    Velocidades prodigiosas/me traen las palabras./ Un tísico me habla desde el Brasil./ La Tierra gira entre las ondas/ con un estremecimiento de espanto.

    Apesar de não ter o apelo cutting-edge dos experimentos climático-sonoros de James Bulley e Daniel Jones, que trabalham com condições climáticas do tempo real, Temporal de Santa Rosa conquista pelo apelo poético dos ruídos, as imagens do satélite retrô e o jogo intrincado a tradição popular local. A ideia de local, inclusive, é cara a McKern, que faz questão de não maquiar a trajetória do desenvolvimento tecnológico na América Latina. Ele fez justiça à produção de net arte da região ao propor uma arqueologia de seu desenvolvimento no net.art/not.art. No site, projetos vivos convivem com links quebrados que apontam para o passado recente da web e guardam apenas breves descrições do que já esteve hospedado ali. Ele avisa: “Net Art is not dead. It just smells funny”.

    Weather Diary – George Kuchar

    www.youtube.com/watch?v=BIfOi5Dx4C0&feature=player_embedded

    Bem ao gosto dos nossos parceiros da VICE, George Kuchar basicamente passou anos de sua vida perseguindo o clima ruim, a comida ruim e os produtos ruins pelos EUA. No meio dos anos 80, Kuchar teve a manha de fazer, graças à possibilidade do vídeo — quando a linguagem ainda estava prestes a virar um hit indie — um vlog analógico de si mesmo em viagem a “ShitsVille”, Oklahoma. Hospedado em motéis, ele acompanha as formações de tufões, vendavais, chuvas enquanto se alimenta de Mc Donnalds e comida enlatada. As perturbações gástricas decorrentes dessa dieta são registradas com a mesma atenção que a “ação” do tempo, e no tempo morto Kuchar nos oferece detalhes sobre sua provisória vida doméstica: a estampa “so New England” do sofá; suas aquisições no Wal-Mart (um lugar divertido) e sua obsessiva atração por pias, bicas, banheiras e chuveiros. Durante o Festival, a série Weather Diary foi exibida no Cine Humberto Mauro e, por incrível que pareça, você acaba apaixonado pelo cara. Antes de morrer, em setembro deste ano, Kuchar nos deixou uma mensagem em vídeo para as pessoas do futuro:

    www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=2tO9I66BAPc

  2. 20 11 2011

    Revista Select no Festival Eletronika - Novas Tendências do mercado editorial na era digital

    Texto: Nina Gazire

    A revista seLecT participou de debate sobre publicações eletrônicas em Belo Horizonte

    Ao lado de Natasha Felizi, do Festival CulturalDigital.Br e de Tadeus Tee, da Revista CODE, a revista seLecT participou do fórum Publicações Eletrônicas como parte das atividades do Festival Eletronika. Com mediação do jornalista Israel do Vale, os palestrantes, além de apresentarem as propostas das respectivas publicações para as quais trabalham, discutiram o futuro e as polêmicas do mercado editorial atual diante da chegada de novos suportes e linguagens como as dos tablets e da internet.

    Natasha Felizi, formada em letras pela USP, comentou sua experiência à frente da versão brasileira do projeto Creators Project, patrocinado pela Intel e coordenado pela revista norte-americana Vice. Atualmente, Felizi participa do projeto CulturaDigital.Br, cujo festival acontece dos dias 2 a 4 de novembro no Rio de Janeiro. A free-lancer trouxe para o debate importantes questões em torno do exercício da crítica em uma era de ágil circulação da informação e dificuldade de aprofundamento nas apurações de pautas. "Hoje sinto uma dificuldade do profissional, de maneira geral, que trabalha com informação no âmbito digital e no impresso. Principalmente no quesito crítica, seja ela de qualquer tipo, parece haver uma chapa branca e uma dificuldade de questionar as fontes e a importância do assunto a ser pautado". Felizi citou como exemplo as Content Farms, empresas que contratam jornalistas free-lancers para produzirem atigos e reportagens de acordo com os temas e tópicos mais procurados pelos mecanismos de busca da web. "No caso do Google, por exemplo, que muitas vezes apresenta links patrocinados, a produção jornalística acaba sendo pautada por interesses privados dessa empresa", ela explica.

    Já o DJ e produtor Tadeus Tee trouxe sua experiência transdisciplinar na produção musical e web-editorial. Tee, após coordenar o netlabel Conteúdo Records durante cinco anos, lançou em parceria com o jornalista Sillas Maciel a revista eletrônica CODE, voltada para experiências visuais e jornalísticas. Assim como a revista seLecT, a CODE trabalha em cima da ideia de curadorias e colaborações móveis, trazendo em cada edição a participação de diferentes artistas, jornalistas, músicos na produção de seu conteúdo. Disponível somente on-line, a revista se encontra atualmente na quarta edição. "A ideia da CODE não é só a de buscar parcerias e a colaboração coletiva de parceiros que dominem determinados temas e assuntos, mas também tentar novas abordagens visuais e experimentais no âmbito do design. A era digital permite que isso se dê de maneira mais fluida e acessível", explica Tee.

    "Estamos em uma era de transição onde diferentes linguagens aparecem e o nosso objetivo é buscar uma experiência que não se dê somente nesta transição, mas que também ofereça ancoradouros no meio desse mar de informação", complementa o jornalista Israel do Vale, editor da revista do Festival Eletronika, disponível para iPad. Israel, que mediou o debate, ainda ressaltou a importância da participação dos leitores, que, segundo ele, "já não são mais meros receptores do conteúdo jornalístico, mas também colaboradores bem como editores da informação em circulação".

    A revista seLecT participou dividindo sua experiência editorial onde cada um dos meios é tratado na especificidade de suas interfaces. Destacou-se a iniciativa de trazer para o mercado uma abordagem transmidiática, que respeita as competências de diferentes mídias e seus atributos particulares. O fórum Publicações Eletrônicas teve transmissão ao vivo pela Casa Fora do Eixo de Belo Horizonte e participação da plateia presente e de internautas.

    www.select.art.br/article/da_hora/revista-select-no-festival-eletronika?page=unic

  3. 20 11 2011

    Forum Eletronika arte.mov 2011

    O Fórum Eletronika / Vivo arte.mov promoveu discussões em torno de questões comuns às áreas musicais e visuais.

    O primeiro dia abordou uma noção de ruído aberta, percebida tanto no som como nas imagens. A palavra Ruído se expande em suas manifestações colaterais, sendo abordada por artistas que não dissociam estalidos, barulhos, sujeiras e turbulências da essência de seus trabalhos.

    As Américas (hoje quase de ponta-cabeça como previram alguns artistas) foram o ponto de partida para se discutir a ideia de pertencimento cultural ou uma geografia que abole fronteiras e prega o nomadismo, mas que ainda perpetua os entraves mais imediatos que impedem a livre circulação entre pessoas, países e culturas.

    O terceiro dia foi dedicado à discussão sobre publicações online. Qual o papel do editor e do jornalista no contexto do “publique ou pereça”. Como utilizar alimentadores automáticos e filtros de informação para fornecer ao leitor aquilo que lhe interessa. Desafios da produção jornalística e de informação em tempos de redes sociais.

    Os encontros foram um convite à participação do público em um espaço aberto e informal, de forma a fazer valer o diálogo horizontal, opiniões singulares e a ressonância das ideias.

  4. 12 11 2011

    EXPOSIÇAO VIVO ARTEMOV 2011

    RUIDO DE FRONTEIRA

    Entre 11 e 27 de novembro de 2011 o Festival arte.mov e o Eletronika organizaram juntos uma exposição chamada Ruído de Fronteira, a partir de conceitos que intercedem os dois eventos.

    A exposição foi uma experiência muito valiosa no sentido de buscar questões em torno da idéia de ruído, (noises, glitches, artefatos e outras “imperfeições” que sempre permearam as mídias analógicas e hoje também aparecem de diferentes modos nas mídias digitais.

    A idéia principal foi demonstrar que o ruído, em suas várias manifestações, já não mais se contrapõe à informação, mas é parte desejada dela. As obras escolhidas, sejam sons ou imagens, já não fazem parte dos domínios conhecidos de alguns anos atrás.

    Os artistas participantes da exposição foram Amor Muñoz, Goran Skofic, Janaina Mello + Daniel Landini, Lea Van Steen, Luiz Duva, Ricardo Carioba, Timo Kahlen, Varvara Guljajeva + Mar Canet Sola. Juntamente com a mostra autdiovisual, performances e os debates entre convidados o corpo de obras e conceitos formados nesse conjunto foi surpreendente. Com origens em países tão diversos como Alemanha, Croácia, Espanha, Estônia, Grécia, México, Taiwan, Uruguai e Brasil, foi interessante notar o quanto os artistas contrapõem um fluxo hegemônico, em um eixo diagonal (colateral talvez), introduzindo novas nuances – ruídos desejáveis – no ambiente digital da media arte. Nessas novas perspectivas de organização já não cabem mais a geografia oficial ou a noção de periferia-centro. Há, talvez, o indício ou o impacto de uma reconfiguração da ordem econômica, onde novas possibilidades de diálogo se estabelecem, expandindo a noção de fronteira, onde se absorvem também as zonas de indefinição ou ruído.

    O catálogo não ficou pronto para os dias do evento mas foi distribuído em cartões SD gratuitamente e pode ser baixado ou visualizado aqui:

    www.lucasbambozzi.net/wp-content/uploads/2012/01/Catalogo-PDF-Eletronika_menor.pdf

    FICHA TÉCNICA

    Curadoria Ruído de Fronteira (exposição e mostras): Lucas Bambozzi

    Curadoria performances audiovisuais: Rodrigo Minelli

    Produção da exposição Ruído de Fronteira: Caroline Ramos

    Produção técnica e audiovisual: Erick Ricco

    Produção de mostras audiovisuais: Samuel Marotta

    Produção fórum de debates: Nina Trevisan

    Identidade visual e design gráfico: Hardy design

    Projeto Expográfico e ambientação: Mach arquitetos

    Produção executiva Eletronika/Vivo arte.mov: Aluizer Malab

  5. 12 11 2011

    Performances artemov 2011

    BRIAN MACKERN / URUGUAI

    Temporal de Santa Rosa é uma instalação performática baseada em interferências elétricas causadas por uma tempestade que costuma cair na passagem do inverno para a primavera no Peru.

    4PROPRI8 / BRASIL

    4propri8 (Vanessa De Michelis) investiga a composição de paisagens, espaços e tempos. Através da criação, apropriação e manipulação de objetos sonoros e instrumentos analógico-digitais, elabora presenças, expande timbres, induz ruídos e aterra ouvidos.

    DR. MIN / BRASIL

    Em seu projeto Dr. Min e os Controladores de Voltagem, os sons são gerados em várias camadas (layers), que são sequenciadas, moduladas e mixadas ao vivo com equipamentos predominantemente analógicos.

  6. 12 11 2011

    Mostras audiovisuais arte.mov 2011

    As mostras audiovisuais acompanham a exposição ruído de fronteira e complementam as intenções de apresentar um conjunto de manifestações distintas em torno do ruído, provenientes de diversos continentes. No entanto, não devem ser entendidas como um ponto de partida indicial, nem sequer de referência, como seria num compromisso mais informativo ou historicista. São mais notadamente um conjunto que sugere uma forma de diluição do tema em universos não-específicos, para não-iniciados. Em uma volta ao mundo, partindo de trabalhos provenientes de diversos continentes, a ideia é apresentar uma noção de ruído imersa na sociedade e em sistemas inesperados, em formas colaterais.

  7. 11 11 2011

    Homenagem a George Kuchar 1942-2011

    As escapadas jornalísticas de George Kuchar em Weather Diaries (“Diários do Tempo”), perseguindo tempestades meteorológicas e em confronto com seu corpo, sua persona e suas dúvidas, podem nos fazer pensar que conhecemos bem esse gênero audiovisual. Hoje presente nos blogs, vlogs, reality series, docudramas ou microdocumentários, essa linguagem está estreitamente relacionada à portabilidade e miniaturização das câmeras. Mas não apenas. Foram poucos os artistas a perfurarem a camada óbvia da autoexposição que se exacerbou ao longo dos anos 90, quando muitos passaram a escancarar ou celebrar suas vidas, seja por compulsão, estratégia de autopromoção ou pelo fetiche de ser visto em webcams espalhadas por todo o mundo.

    George Kuchar, um visionário do cinema underground, em vários momentos trabalhando junto com seu irmão gêmeo Mike, fez da acessibilidade um discurso estético, cultural e político. A falta de pretensão e glamour nos “Diários do Tempo” nos fez ver e sentir um certo vazio da sociedade norteamericana que o cinema nos trouxe apenas na última década. Utilizando super-8 (desde meados dos anos 50), vídeo doméstico ou material televisivo, Kuchar apontou confluências entre suportes, técnicas, procedimentos e linguagens que ainda eram pouco aceitas naquele período. É uma produção que encontra paralelo em poucos artistas de sua época, em alguns pontos talvez em Sadie Benning ou Tom Kalin, cada qual com sua forma peculiar de expor suas intimidades, sempre mescladas a uma crítica da trama social da qual emergiram.

    A agilidade de Kuchar em enfrentar o melodrama de forma sincera, improvisada e inspirada lhe rendeu seguidores em todo o mundo, e sua influência já foi declarada por cineastas como John Waters, Gus Van Sant, Brian De Palma e David Lynch. Foi em muitos aspectos um multimídia, tendo trabalhado também com Art Spiegelman e Robert Crumb. Suas aulas Electrographic Sinema (descrito pelo próprio como “plugando na tomada as sinapses cerebrais para criar gráficos eletrificantes”) aconteceram por 39 anos (!) no SFAI (San Francisco Art Institute, EUA) e recentemente migraram para o Facebook, em uma espécie de workshop aberto, em torno de afinidades estéticas e video design.

    George morreu de câncer em setembro deste ano. Nós, do arte.mov, que acompanhamos desde o final dos anos 80 esses movimentos sintomáticos do vídeo em relação ao cinema, assumindo a influência de George nesse cenário, não poderíamos deixar de enxergar a analogia com a emergência de dispositivos de baixo custo que se popularizam e nos fazem ver um pouco de Kuchar em muitas das produções que circularam pelo festival nos últimos seis anos. Essa mostra, além de se constituir como uma pequena homenagem, é também uma forma de ver o potencial enriquecedor de linguagens híbridas e dissonantes como a de George Kuchar.

    Lucas Bambozzi

    Texto de George Kuchar: Weather Diaries

    www.artemov.net/noticia.php#46

  8. 11 11 2011

    WEATHER DIARIES/ DIÁRIOS DO TEMPO

    Tudo isso começou com o meu interesse pela natureza. Desde que eu era um garoto da cidade, vivendo no Bronx, a natureza se mostrou para mim através da colorida tapeçaria celeste que se tecia sobre os cortiços. O assombro de tempestades de verão, sufocantes nevascas e ventos de tremer as janelas deixaram em mim uma impressão duradoura. Eu procurei, em livros de biblioteca, os Astros dessa majestade meteorológica e li sobre furacões, tornados e outros terrores que, ocasionalmente, estremecem a consciência urbana.

    Como eu gostava de desenhar e pintar, acabei me deparando com os livros de Eric Sloane. Ele era um artista muito interessado nas condições climáticas da América. Seus volumes maravilhosamente ilustrados sobre a atmosfera foram de grande valor estético e científico para mim. Eu aprendi a ler as nuvens, o que resultou, diariamente, em uma espécie de horóscopo. Finalmente, eu tive a sorte de conseguir um emprego para fazer mapas climáticos para um programa de notícias local da NBC.

    Frank Fields era o apresentador da previsão do tempo no programa, e ele ficou impressionado por eu saber o aspecto das nuvens que acompanham as frentes de tempestade. Artistas visuais do passado desenharam atrocidades amórficas que lembravam bolsas esvaziadas. Os meus desenhos eram artefatos aéreos anatomicamente corretos e de uma beleza florescente. Os mapas climáticos de Frank Fields eram a minha chance de mostrar o conhecimento que havia obtido de Eric Sloane e da prática de explorar os céus com um novo olhar.

    Eu desenvolvi uma fascinação por tempestades e pelos furiosos furacões que elas provocam, ocasionalmente, na paisagem. Ao invés de apenas ler relatos desses dervixes monstruosos e giratórios, e das vidas daqueles que foram capturados nas proximidades do turbilhão, decidi pegar um avião e ir para onde eles acontecem. Então, fui parar na cidade de Oklahoma durante a primavera. Eu ficaria no YMCA por três ou quatro semanas para tentar absorver, em todos os níveis, os elementos misteriosos que, naquele momento, me obcecavam. Eu era jovem e o tempo se esticava diante de mim em um horizonte de eventos aparentemente interminável. Talvez eu pudesse encher minha mente de imagens e sons que, anteriormente, tinham ocorrido para mim apenas durante a leitura de livros sobre o assunto. Isso seria a verdade...

    Eu não sou um caçador de tempestades, mesmo porque eu nunca aprendi a dirigir. Eu queria vivenciar as tempestades de primavera nas planícies americanas como as pessoas simples que figuravam nos livros que eu lia. Portanto, os vídeos nos Diários do Tempo mostram o tumulto, o tédio, o terror e o terreno televisionado no país do tornado por olhos transplantados. Às vezes eu tento misturar, digerir a atmosfera alienígena, os dias arrastados e regados a fast-food. Vários problemas de saúde apimentam a série, assim como os vestígios daqueles que passam como gases, vapores de vitalidade que nos fazem resmungar com um monstrengo que não tem nariz. Mas eu espero que vocês apreciem o que o olho dele captura nessa jornada de rangos jubilantes e delicioso pavor.

    ?George Kuchar