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Vivo ARTE.MOV

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MARGINALIA+LAB abre convocatória para residência

Postado por artemov em 08 05 2012 06 15 24 PM

Estão abertas até o dia 20 de maio, através do site, as inscrições para a Convocatória Internacional do Programa de Residências Artísticas do Marginalia+Lab, Belo Horizonte, a ocorrer entre junho e novembro de 2012.

Serão selecionados quatro proponentes para desenvolverem propostas de experimentação em arte, ciência e tecnologia, ao longo de dois meses: dois artistas brasileiros e dois internacionais.

Aos selecionados – artistas, amadores, pesquisadores e entusiastas das mais diversas áreas – será oferecida estrutura de desenvolvimento, pró-labore, além de alojamento e auxílio para viagem aos que não residam na cidade.

Criado a partir da iniciativa do Marginalia Project, coletivo de arte e tecnologia, o Marginalia+Lab é um laboratório, espaço de criação e investigação em arte e tecnologia com objetivo de estimular práticas de experimentação, intercâmbio e colaboração.

Em atividade desde 2009, o Marginalia+Lab realiza workshops, encontros e reuniões e desde 2010 mantém, em Belo Horizonte, um espaço no bairro de Santa Efigênia. O laboratório é patrocinado pela Vivo, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, integrando o programa cultural Vivo Lab.

Em 2010 o coletivo foi responsável por trazer o projeto Interactivos? pela primeira vez ao Brasil. Uma plataforma de pesquisa e produção para os usos criativos e educativos da tecnologia com objetivo de expandir o uso de ferramentas de eletrônica e software para artistas, designers e educadores. Os eventos são um híbrido de workshop, seminário e exposição, criando um espaço de reflexão, investigação e trabalho colaborativo, aberto ao público do começo ao fim.

Interactivos? é um projeto que foi idealizado pelo MediaLabPrado, em Madrid. Este ano deverá acontecer em Dublin, as inscrições também estão abertas até o dia 20 de maio.

Performance audiovisual :: Sight Unseen :: Leah Singer e Lee Ranaldo

Postado por artemov em 27 04 2012 09 03 38 PM

“O trabalho de performance e instalações de Leah Singer e Lee Ranaldo combinam um fluxo de imagens e sons retirados de situações do cotidiano, momentos que revelam a beleza do comum e têm a capacidade de transformar o lugar comum em algo extraordinário. A natureza contemporânea poética do seu trabalho ecoa uma história do cinema experimental.” Richard Julin, curador sênior, Magasin3, Estocolmo.
Um desempenho que não é capaz de ser colocado em palavras objetivas, mas que tem o poder de um tipo de comunicação que poderíamos definir como não-racional. Sight Unseen é uma peça magistral nesse sentido. Nem todo mundo está tão disposto a sofrer uma experiência tão indefinível, mas, para os que foram capazes de deixar a performance assumir esta relação, um novo
sentido do experimentar se revela.

Dia 29/04 – 20h – Galeria Genesco Murta – Palácio das Artes -Avenida Afonso Pena 1.537, Centro

*Retirada antecipada de ingressos. sujeito a lotação do espaço.

Para Além da Tela Pequena – Festival Vivo arte.mov 2012

Postado por artemov em 25 04 2012 05 35 20 PM

A mostra, formada por realizadores que vêm produzindo séries audiovisuais marcadas pela mobilidade, sugere possibilidades distintas para a fruição dos chamados vídeos de bolso, em telas de tamanhos diversos. O formato explora o trânsito entre a instalação e a exibição, revelando a fluidez do audiovisual em contextos de fluxo.

68 Rivoli – Gabriel Menotti (ES)


Contrariando tendências contemporâneas da arte digital, 68 rivoli é um trabalho de teleausência: uma série de snapshots de videoconferências privadas em que ninguém aparece. O interlocutor se foi (por uns minutos ou pra sempre?), deixando para trás apenas o enquadramento fortuito de uma arquitetura – um espaço que bem poderia ser familiar.

O homem e sua vestimenta – Laurita Salles (SP/RN)

Série de 3 vídeos de curta duração sobre o olhar e a distância. Partes do corpo humano vistos de forma fragmentada, em recortes que revelam a formalidade da vestimenta urbana e corporativa – como um olhar do habitante da cidade para si mesmo. Os gestos repetidos revelam o incômodo da experiência cotidiana do uso da vestimenta, símbolo do regime do tempo absoluto, formal e medido do trabalho.

LOCATIVOS: territórios invisíveis, ambientes conectados – prêmio mídias locativas 2012

Postado por artemov em 25 04 2012 05 23 01 PM

O Prêmio Mídias Locativas do Festival Vivo arte.mov foi criado em 2008. Desde 2006, o festival já vinha introduzindo os conceitos nesse campo, através de debates e convites a artistas internacionais para mostrarem o que poderia ser um projeto “locativo”. Mas foi a partir da criação do edital que o festival formalizou um apoio que se mostrava necessário a artistas locais, como forma de viabilizar projetos que fazem da geolo- calização e seus desdobramentos o foco de seu trabalho.

As mídias locativas têm o mérito de terem esca- pado dos limites da tela do computador desktop ao apontar experiências em espaços abertos e públicos, em confluências entre o virtual e o real. Em sua curta história, hoje já podemos listar momentos que sedimentam essa prática para além de uma perspectiva eufórica. Desde a exposição [re]distributions organizada por Patrick Lichty em 2001, que revelou no campo da arte o potencial expressivo de aparelhos como PDAs e telefones celulares; passando por textos como Beyond Locative Media (Marc Tuters e Kazys Varnelis), ou a partir das apresentações de Drew Hemment, Armin Medosch, Blast Theory e Mark Shepard nos seminários do arte.mov acerca da ambiguidade dos sistemas pervasivos, nota-se que há ainda muito a ser discutido em termos de portabilidade e georeferenciamento. Ao longo desses anos, o que se nota é a consolidação de um pensamento crítico e artístico em torno de uma das qualidades mais inesperadas da comunicação, a de revelar condições que vão além do fluxo de informação e tangenciam os espaços públicos, mesclando virtualidades e fisica- lidades antes antagônicas.

O Vivo arte.mov vem desempenhando sem dúvida o papel de protagonista nessa cena, não apenas endossando mas viabilizando uma série de projetos que testemunham a evolução dessas artes locativas. Em 2012, a qualidade dos projetos recebidos nos incentiva a expandir a represen- tação dos finalistas na exposição do festival. Mais do que ajudar a compor um eixo temático, as obras finalistas se afinam com os conceitos esboçados para o Festival como um todo. Por outro lado, a perspectiva de surgimento de projetos mais específicos, ligadas a outro outros contextos culturais e geográficos do Brasil e suas vizinhanças, nos encoraja a transpor fron- teiras com o Prêmio Ecorregião Amazônica, envolvendo também países que compartilham similaridades com o norte do país, como Peru, Colômbia, Venezuela, Equador e Bolívia.

Vista on Vista Off II

Denise Agassi (sp)

[prêmio mídias locativas 2012]

Vista on Vista off II é uma instalação em rede que disponibiliza, a partir de um dispositivo de projeção, uma série de vídeos em tempo real, cruzando informações de uma bússola digital com tags pré-selecionadas em diversos idiomas. As palavras referem-se a tipos de vista (aérea, panorâmica, mirante, etc) e aos locais apontados pelo dispositivo. Noção de localidade e mapeamento são abordados nesta instalação uma vez que as imagens são acessadas e distribuídas no espaço a partir de arquivos que se referem a determinados locais.

O público aciona a obra ao rotacionar o dispo- sitivo que está fixado no centro de um espaço redondo e fechado. Os vídeos apresentados são acessados a partir do Youtube (um banco de imagens que hoje representa o próprio do mundo) e correspondem à direção escolhida pelo visitante. Os diferentes tamanhos de telas projetadas correspondem à distância entre o lugar onde a obra está instalada e o lugar que se vê na imagem, criando uma ilusão de profundidade espacial. Estas camadas de imagens exibidas aproximam e sobrepõem lugares distantes e reconstroem a paisagem através dos arquivos que estão na rede. Também nos fazem refletir sobre os aspectos da condição contemporânea da cultura remix, visualização de dados, da estética dos bancos de dados e dos database movies.

O trabalho estimula o público a repensar o espaço físico diante da noção de realidade aumentada à medida que ativa e revela os espaços que estão ao redor. Deste modo, as noções de lugar e paisagem se ampliam.

3c0: ecossistema do sensitivo

Ricardo Brazileiro (pe)

[prêmio mídias locativas 2012 – menção especial]

3CO é uma intervenção urbana interativa que coleta dados ambientais em tempo-real e atua de forma a construir um ecossistema híbrido que reage de acordo com as intensidades do cotidiano urbano em um determinado espaço. As reações são traduzidas em movimentos por servo-motores que acionam guarda-chuvas equipados com sensores analógicos e digitais capazes de aferir dados como temperatura, umidade relativa do ar, ruídos, sinais sonoros, gases, poluição e campos eletromagnéticos. Cada variação no ambiente, seja por efeito humano ou pela própria natureza, excita o aparato a ponto de provocar dilatações e contrações na sua estrutura, de acordo com as amplitudes do desvio ambiental. A proposta apresentada no Festival Vivo arte.mov conecta as cidades de Olinda (PE) e Belo Horizonte (MG), realizando a troca de dados ambientais através de sensores e aparatos de mediação entre as cidades, em formas nem tão visíveis, mas sensíveis a variações que nos rodeiam e nos envolvem.

Exposição: Desterritorialização da Cultura: Eixo Expositivo e Eixo Locativo – Festival Vivo arte.mov 2012

Postado por artemov em 25 04 2012 05 01 23 PM

EIXO EXPOSITIVO: DESTERRITORIALIZAÇAO DA CULTURA

Galeria Arlindo Correa

Em seus sete anos de existência, o festival viu surgirem não apenas novos “gadgets” e dispositivos móveis – como os smartphones cada vez mais potentes, tablets e a onda das apps dedicadas, os dispositivos gps embutidos em câmeras, telefones e uma variedade quase infinita da combinação entre estes -, mas também uma geração de artistas dispostos a encarar os desafios da construção de novas linguagens adequadas a estes tempos de mobilidade; bem como de pensadores e pesquisadores que se comprometem a buscar a compreensão de tão agudas transformações e mudanças.

Desta forma, o Festival Vivo arte.mov chega à sua sexta edição anual reafirmando-se como o mais importante festival brasileiro dedicado àquilo que se convencionou chamar “cultura da mobilidade”, buscando através das discussões, encontros, trocas e exibições revelar os potenciais presentes dentro de um panorama em constante movimento: a nossa sociedade.

artvertiser

Julian Oliver, Diego Diaz, Clara Boj, Damian Stewart

Artvertiser imagina um futuro próximo onde a publicidade no espaço público pode ser substituído pela arte. É um projeto de realidade aumentada, consistindo de dispositivos de mão customizados e um software especialmente projetados. O Artvertiser considera Potsdamer Platz em Berlim, Puerta del Sol em Madrid, Times Square, em Nova York, e outros lugares com alta densidade de anúncios, como espaços de exposição potencial. O software reconhece anúncios individuais, e faz com que cada um se transforme em obras de arte exibidos em uma ‘tela’ virtual quando visto através dos binóculos Artvertiser. O Artvertiser permite a artistas criar uma nova camada visual sobre a topologia da cidade, que só pode ser vista através de um dispositivo que combina convincentemente a estética do passado, com uma funcionalidade futurista.

Sight Unseen

Leah Singer & Lee Ranaldo


Momentos cinemáticos curtos entrela- çados. Um pingo cai. Uma exploração de imagem e som celebrando o escondido, o perdido, o invisível. Sight Unseen é uma investigação de como imagem e som inte- ragem, e será apresentado tanto como performance ao vivo como na forma de instalação. A obra combina fluxos de imagens e sons extraídos de situações cotidianas, momentos que revelam a beleza do ordinário e transformam o lugar comum em algo extraordinário.

A configuração básica nesta sala é um sistema de som surround de áudio com muitos loops e sobreposição, juntamente com duas telas de projeção grandes. As imagens projetadas mudam visualmente quando se move em torno do espaço (assim como faz o áudio). Devido à natureza de sobreposição de loops de áudio e projeção, não há dois momentos idên- ticos durante a exibição.

EIXO LOCATIVO

URBAN REMIX

A plataforma Urban Remix compreende um sistema de telefone celular e uma interface web para gravar, pesquisar e mixar áudio. Ela permite a seus usuários documentar e explorar sons óbvios, negligenciados, privados ou públicos, e mesmo secretos do ambiente urbano. Os participantes nos workshops Urban Remix tornam-se criadores ativos de paisagens sonoras compartilhadas conforme buscam eventos sonoros interessantes ao redor da cidade.

Os sons, vozes e ruídos coletados fornecem a trilha sonora original para remixes musicais que refletem a natureza específica e a identidade acústica da comunidade.

O projeto se apoia em práticas estéticas que incorporam sons do mundo real em trabalhos eletrônicos, como a música concreta, a ecologia acústica, e as abordagens a partir do acaso de John Cage, assim como práticas de arte pública e estéticas rela- cionais que estruturam novas formas de engajamento e colaboração entre artistas, designers e cidadãos. Sua contribuição inovadora é a combinação destas abor- dagens estéticas com tendências tecno- lógicas atuais em aplicativos locativos, performance digital e arte interativa.

LOCATIVOS: territórios invisíveis, ambientes conectados

prêmio mídias locativas 2012

Galeria arlinda correa

Vista on Vista Off II

Denise Agassi (sp)

[prêmio mídias locativas 2012]

3c0: ecossistema do sensitivo

Ricardo Brazileiro (pe)

[prêmio mídias locativas 2012 – menção especial]

Fluxos e dinâmicas da cultura contemporânea – Simpósio Internacional – Festival Vivo arte.mov 2012

Postado por artemov em 25 04 2012 04 18 09 PM

Como sempre ocorre no Festival, as ações 38 e atividades se darão por meio de três eixos:

(1) seminário

(2) exposições e mostras (competitiva e informativas) e

(3) performances audiovisuais

Este ano propomos como eixo orientador destes um estudo do relacionamento entre três dimensões do fluxo da cultura global, que poderiam ser abordados a partir de uma perspectiva que, junto a Arjun Appadurai, destacamos com o sufixo comum “panorama”, a saber: etnopanoramas; midiapanoramas; tecnopanoramas.

Tal perspectiva nos permite observar um cenário em constante movimento. Um horizonte em que novos circuitos (de produção e fruição) audiovisuais, e por consequência dos media – e por sua cada vez maior penetração no tecido social e no cotidiano das pessoas – e da sociedade como um todo, acabam redesenhando a própria relação que temos tanto com aquilo que nos envolve, nosso meio ambiente e as relações que nele estabelecemos, como das formas como usamos tais tecnologias para exprimir esta nossa relação.

Como já nos alertava Milton Santos, é preciso desmistificar o espaço e concebê-lo tal como é, “(…) uma estrutura social, como as outras estruturas sociais, dotada de autonomia no interior do todo e participando com as outras de um desenvolvimento interdependente, combinado e desigual. Para desmistificar o espaço, é preciso levar em conta dois dados essenciais: de um lado a paisagem, funcionalização da estrutura tecno-produtiva e lugar da reificação; de outro lado, a sociedade total, a formação social que anima o espaço.”

Neste sentido, as discussões e apresentações aqui propostas buscam construir uma visão contemporânea do status deste espaço habitado por nós, as paisagens de Santos, e conformado pelos media, os panoramas de Appadurai.

tecnopanoramas 26/04 - mediação: lucas bambozzi

Propondo discutir a emergência da cultura da mobilidade, o tema Tecnopanoramas oferece um painel sobre novos sistemas, veículos e dispositivos que passam a expandir a noção de deslocamento e convívio urbano. Com ênfase nos aspectos definidores das tecnologias e de sua relação com os usuários, as novas estru- turas pautadas pela mobilidade trazem aspectos ideológicos que partem dos dispositivos mas vão muito além dele. Até que ponto as formas de entendimento do mundo a partir dos usos e apro- priações tecnológicas potencializam formas de subversão das lógicas prescritas?

Robert Kronenburg – arquitetura em movimento

Caio Vassão – A cidade distribuída

Fernando Gil - a próxima revolução pode sair da sua garagem!

etnopanoramas 27/04 - mediação: marcus bastos

Com objetivo de fazer uma antropologia dos fenômenos atualmente em curso na cultura da mobilidade (e áreas relacionadas, como as redes sociais), este vetor de discussão propõe um entendimento de como emergem comunidades e redes de relacionamento com formato que depende de dispositivos cuja portabilidade sugere redesenhos das relações sociais.

Massimo Canevaci – ur-GeräuscH / sonic sKull / crânio sonante - conferência performática suturas ubíquas e sonidos inauditos no crânio de Rilke

Michael Nitscheurban remix

midiapanoramas 28/04 - mediação: rodrigo minelli

De que forma as tecnologias de comunicação em rede estão redesenhando o circuito da mídia? Estudos de caso que permitem entender como a mediação compartilhada típica dos ambientes surgidos com os aparelhos portáteis e os sistemas de auto-publicação deslocam a linha que divide emissores e receptores nos processos de troca de informação.

Erick Felinto – paixões abissais: Vilém Flusser e a arte das profundezas

Roberto Moreira – outras projeções

Sergio Basbaum – interdisciplinaridade selvagem: pensamento e proposições de arte para o fim do mundo e início do milênio

A arte não está no mesmo lugar – Festival Vivo arte.mov 2012

Postado por artemov em 25 04 2012 02 59 54 PM

O Festival Vivo arte.mov 2012, em sua sexta edição, pretende discutir questões em torno das políticas culturais marcadas por uma noção ampla da desterritorialização e de uma possível sociologia do deslocamento que ela pode vir a representar.

Em suas várias atividades, o Festival busca compreender que se torna mundializada não apenas através dos meios de comunicação, como o previu Marshall McLuhan ainda nos anos 60, mas também através do constante fluxo promovido pelo deslocamento mundial do capital, de trabalhadores, de acadêmicos e artistas.

As fronteiras da informação são instáveis e aéreas, e passam a transpor ambientes físicos. Como dizia Milton Santos, tudo voa: “os homens mudam de lugar, como turistas ou como imigrantes. Mas também os produtos, as mercadorias, as imagens, as ideias”. Enquanto, por um lado, a aceleração da troca de informação e da comunicação são celebradas, por outro temos um constante processo de perda das relações tradicionais com o espaço-tempo, assim como uma crescente homogeneização dos lugares e a perda das diferenças culturais, como apontado, entre outros, por Miwon Kwon em “One Place After Another”.

De fato, vivemos num contexto em que a circulação parece ser mais criadora que a produção. Entender as forças que movem a cultura, e percebermos como somos afetados pela dinâmica global, tem sido o propósito dos temas abordados pelo Festival.

Esperamos desta forma poder contribuir para o amadurecimento de um pensamento crítico que consiga apreender tanto os aspectos positivos quanto negativos de tais movimentos e transformações na/da sociedade contemporânea.

curadoria Festival Vivo arte.mov

Programação:

Mostra Competitiva

Simpósio Internacional

Exposição: Desterritorialização da Cultura: Eixo Expositivo e Eixo Locativo (Galeria Arlindo Correa)

Para Além da Tela Pequena


— 24 DE ABRIL – TERÇA-FEIRA —
19H à 21h: Abertura – arte.mov + SimBio

— 25 DE ABRIL – QUARTA-FEIRA —
10h – 16h: Workshop Artvertiser
18h – 19h: Mostra Informativa : SESIFF (Seoul international Extreme-Short Image & Film Festival)
19h – 21h: Seminário – Palestra de Abertura -Conferência com Howard Reinghold
21h – 21h30: Documentário Vivo arte.mov

— 26 DE ABRIL – QUINTA-FEIRA —
14h – 17h: Workshop UrbanRemix
18h – 19h: Mostra Informativa : Festival Objectifs Films
19h – 21h: Seminário Tecnopanoramas Robert Kronenburg, Caio Vassão, Fernando Gil – Mediação: Lucas Bambozzi
21h – 21h30: Mostra Competitiva Programa 1

— 27 DE ABRIL – SEXTA-FEIRA —
10h – 16h: Workshop Artvertiser
18h – 19h: Mostra Informativa: Field Notes from a Mine
19h – 21h: Seminário Etnopanoramas Massimo Canevaci, Michael Nitsche – Mediação: Marcus Bastos
21h – 21h30: Mostra Competitiva Programa 2

— 28 DE ABRIL – SÁBADO —
17h – 18h: Bate-Papo Aberto com Selecionados da Mostra
18h – 18h30: Mostra Informativa: Prêmio Vida
18h30 – 19h: SESSÃO ESPECIAL Mônica Bello apresenta “Prêmio Internacional VIDA, arte e Vida Artificial”
19h – 21h: Seminário Midiapanoramas Erick Felinto, Roberto Moreira, Sergio Basbaum – Mediação: Rodrigo Minelli
21h – 21h30: Mostra Competitiva Programa 3

— 29 DE ABRIL – DOMINGO —
16h – 21h: Exposição
17h30 – 19h: Mostra Competitiva Programas 1, 2 e 3
19h – 20h: Premiação Mostra Competitiva
20h – 21h: Performance Sight Unseen

– TODOS OS DIAS – -
9h30 – 21h30: Exposição

Palácio das Artes
Avenida Afonso Pena 1.537, Centro, 30130-004 Belo Horizonte, Brazil

de 24 a 29 de abril de 1012

das 10 as 22h

Dinâmica e evolução de Vida – Entrevista com Mónica Bello

Postado por artemov em 20 04 2012 11 22 19 PM

por Raquel Rennó

Mónica Bello é diretora artística do Vida – Concurso Internacional de Arte y Vida Artificial da Fundação Telefônica, que desde 1999 vem oferecendo prêmios para projetos que lidam com o tema das relações entre arte e vida artificial. Entre 2008 e 2010 foi diretora dos programas educativos do Laboral Centro de Arte y Creación Industrial em Gijón (Espanha), que promoveu projetos de pesquisa sobre as relações entre arte e ciência, além de desenvolver conjuntamente com a UOC (Universidade Oberta da Catalunya) cursos de extensão e especialização sobre diversos temas ligados à cultura digital. Mónica iniciou, juntamente com outros curadores e pesquisadores, projetos pioneiros de investigação sobre as relações entre arte e ciências da vida como Capsula com UllaTaipale (Finlândia) Res-qualia com Raquel Paricio (Espanha) e Biorama com o Digital Research Unit (DRU) da Universidade de Huddersfield (Inglaterra). Mónica é convidada do arte.mov 2012 onde falará sobre o Prémio Vida e nos adiantou algumas questões sobre como a proposta do concurso foi sendo ampliada, seguindo a própria evolução do conceito de vida artificial nas artes.

No âmbito da vida artificial e dos projetos que exploram a arte e as biotecnologias, ou a relação homem-máquina há um sem fim de propostas que de alguma forma se podem ver nas categorias da galeria do Prémio Vida: corpo, comunicação, movimento, política, urbanismo, genética, etc. Como se organizam estes critérios quando se trata de escolher entre obras relevantes mas com objetivos tão distintos?

No júri de Vida tratamos cada projeto de modo individual, ou seja, tentamos identificar o alcance do projeto e como ele contribui para a disciplina de modo próprio e singular. Com isto quero dizer que entre os prêmios a cada ano não tentamos responder a categorias pré-estabelecidas, são os próprios projetos que ditam a pauta do conjunto de premiados de cada convocatória. A área de cobertura da vida artificial é enorme e a cada ano somos surpreendidos por como Vida consegue ilustrar esse caráter. Que a obra ou proposta em questão seja válida ou não, depende principalmente de se saber se estamos falando de um sistema que mostra um comportamento organizado e dinâmico, que evolui, que seja consciente de si mesmo e que supere as intenções representativas ou narrativas em favor de uma materialização efetiva do processo vivo. Isto pode ser feito a partir de diferentes visões discursivas, experimentando as linguagens e modos expressivos a partir de várias técnicas ou em contextos heterogêneos, que simulem ou manipulem a vida sintética, biológica ou híbrida como um sistema complexo de relações múltiplas.

Como foram sendo alterados os conceitos e idéias que interessam ao júri de VIDA durantes estes anos? É possível observar entre as obras apresentadas ao longo destes anos tendências que foram se tornando mais forte ou outras que deixaram de ser relevantes?

Sem dúvida, há novidades nas questões que estão sendo exploradas, e que se unem às abordagens clássicas sobre vida artificial e trazem grande versatilidade ao concurso. Entre os novos temas destacam-se os projetos experimentais e especulativos sobre a vida que mostram os desafios sociais e ambientais da atualidade, experiências com as novas biotecnologias como meio e discurso sobre sistemas vivos, dispositivos de gravação e análise de bio-informação em certos contextos como os urbanos, rurais ou em laboratórios que muitas vezes se materializam em visualizações ou obras sonoras. Também podemos mencionar a aplicação de arquiteturas aumentadas e espaços híbridos ou as abordagens críticas da vida artificial e simulação na cultura popular e nos hábitos contemporâneos, especialmente os relacionados às atividades nas redes sociais e as aplicações em dispositivos móveis.

No júri de Vida tentamos analisar os projetos recebidos independentemente dos nossos interesses. Embora esta seja uma competição definida a partir da perspectiva de uma área de pesquisa específica, o objetivo é destacar projetos que demonstram novas formas de se considerar uma disciplina em continua variação, que apontem em direção à novas questões e novos desafios culturais em relação à vida. Com isso vemos que a cada ano o júri funciona de uma maneira diferente, analisamos uma nova combinação de propostas que vem como um todo e tentamos observar as tendências que despontam. Ao contrário de outros concursos, o júri é composto por especialistas cuja pesquisa própria trata deste domínio particular da vida artificial. Eles acabam trabalhando como mentores do projeto e graças ao seu amplo conhecimento podem distinguir as idéias mais inovadoras e relevantes das menos relevantes ou anacrônicas. É comum que os jurados participem em várias edições do concurso, o que nos permitiu ter um grupo estável e comprometido e que nos dá a oportunidade de examinar a evolução do conceito de vida e identificar novas abordagens artísticas em vida artificial e o modo como este conceito e a própria categoria se ampliam.

Há uma diferença clara entre os projetos latino-americanos que chegam ao concurso Vida em comparação com outros países? Existem características que você possa destacar em temas ou práticas que interessem mais aos artistas nesta região?

A diferença entre a América Latina e o resto dos países que participam do concurso foi durante muito tempo fruto de uma diferença de recursos técnicos, de formação, de produção e de uma articulação clara de todos estes aspectos. Este foi o motivo pelo qual em 2001 se criou a modalidade Incentivos a la Producción, destinada a apoiar economicamente propostas não realizadas de América Latina, Espanha e Portugal. Deste modo se contribuiu à realização de projetos, sua exibição internacional e a promoção da experimentação em geral em uma área emergente. Ao longo dos anos pudemos comprovar que a situação melhorou substancialmente em determinadas áreas, sendo que o prêmio teve um papel determinante nisso e começaram a aparecem entre os prêmios principias na modalidade Projetos Finalizados, projetos desenvolvidos nestes países. Em relação às temáticas, como meu colega de júri Jose-Carlos Mariategui indica, a contribuição latino-americana consiste em uma interpretação mais ampla e multicultural da vida artificial, com a capacidade potencial de redefinir conceitos locais em termos de produção e consumo cultural. Eu destacaria que entre os projetos que nos chegam da América Latina existe um interesse em criar dispositivos que registram a informação do entorno, rastreiam as ruas das grandes urbes ou as consideram como sistemas vivos em contínuo desenvolvimento. Neste sentido é muito freqüente que os projetos proponham dispositivos de prospecção de terreno, extraindo dados do meio-ambiente e dos ecossistemas e mostrando reflexões muito importantes sobre o contexto social. Freqüentemente são propostas comprometidas com causas ecológicas, conectadas com problemas de poluição e do urbanismo massivo. Ainda que não se possa dizer que seja uma característica própria da América Latina, são muito interessantes os estudos de comportamento artificiais em entornos virtuais ou físicos, que muitas vezes demonstram um sólido conhecimento teórico. Os projetos que propõem o encontro entre homem e máquina ou entre o sintético e o orgânico são igualmente freqüentes.

Existem distintas opiniões e visões por parte de teóricos e artistas sobre as relações e incompatibilidades entre o tipo de arte que vemos em Vida e as obras da chamada arte contemporânea. Qual sua opinião a este respeito?

Eu sou da opinião de que estamos lidando com duas visões completamente diferentes de arte. A prática artística que Vida acolhe explora noções que se diferenciam claramente do que está acontecendo na arte contemporânea. Primeiro, reflete sobre uma noção fundamental, a vida e a natureza híbrida em que nos movemos, em circunstâncias sociais e culturais muito específicas. As estratégias adotadas pelos artistas atendem ao que está acontecendo na sociedade contemporânea e sua condição técnico-científica, em relação às mudanças incessantes na ciência e na tecnologia. O papel do artista ou criador neste sentido é crucial: em uma época de mudanças constantes, a sociedade e o indivíduo sofrem o impacto do ritmo acelerado em pesquisa e conhecimento. O artista age como um observador e como mediador entre as duas esferas, incorporando os avanços tecnológicos no contexto social, propondo espaços de interação, de participação e mediação com uma realidade informacionalmente saturada. Isso é algo que obviamente não é levado em conta nos circuitos da arte contemporânea, sufocado pela auto-referencialidade e pelas demandas e especulações do mercado.

Andres Burbano no Circuito Vivo arte.mov

Postado por artemov em 12 04 2012 07 16 18 PM

O pesquisador Colombiano esteve presente no Rio de Janeiro e em Visconde de Mauá e fez parte de uma programação envolvendo debate e oficinas de cartografia experimental e mapeamento aéreo comunitário.

A programação desenvolvida conjuntamente pela equipe arte.mov e Nuvem – hacklab rural abriu o projeto Circuito Vivo arte.mov 2012 que passará por 5 capitais nacionais até maio deste ano.

Andres, que atualmente mora na Califórnia, onde desenvolve doutorado sobre a história das tecnologias de comunicação na América Latina, tem um trabalho que explora a interação entre ciência, arte e tecnologia voltado para um desenvolvimento comunitário, o que chama de “ciência cidadã”.

Artista, pesquisador, desenvolvedor e atuante na cultura open source, Andrés tem desenvolvido uma trajetória curiosa acima do tema cartografia: de cromossomos a satélites, vem experimentando seus significados em distintas modalidades.

Aliás, essa aproximação com o Nuvem e Bruno Vianna (um dos coordenadores do ousado HackLab Rural, juntamente com Cinthia Mendonça) se deu pela proximidade da pesquisa sobre satélites.

Bruno, que ajudou a fundar o MSST – Movimento dos Sem Satélite,  tem trabalhado com a temática há algum tempo com trabalhos como: Satélite Bolinha (documentário), Eletropipas (pesquisa sobre pipas e papagaios, bem humoradamente definido por Bruno) e Liquid Satellite Garden (projeto experimental de desenvolvimento de satélite com água salgada – iniciado em residência no Laboral em 2011).

Felipe Fonseca, da rede MetaReciclagem, que também esteve presente na programação do Rio de Janeiro, teve uma conversa bem interessante com Burbano,  Bruno e Cinthia. Leia aqui.

Museu em Madri reflete sobre “situação sonora”

Postado por artemov em 24 02 2012 11 42 58 PM

Uma série de palestras, concertos, intervenções e workshops no Museu Reina Sofía, na capital espanhola, volta-se à conexão entre “som e deriva, psicogeografia e auralidade”,  incluindo também uma análise e discussão sobre a influência e a repercussão de conceitos como deriva, construção de situações e “détournement” – todos no contexto da produção sonora.  O programa, intitulado “Situación Sonora: La Deriva Aural”, inclui conferências, colóquios, concertos e também a criação de uma obra original por parte dos vários artistas participantes, através da gravação de suas próprias “derivas” durante um percurso pelo Centro de Arte Reina Sofía, que será veiculado posteriormente pelo canal  de rádio do próprio museu.

A “deriva” e a “psicogeografia” (reflexões sobre formas de ver e experimentar a vida urbana e os efeitos do ambiente geográfico nas emoções e no comportamento das pessoas), bem como a busca de espaços públicos, a construção de situações e o “détournement” (a possibilidade artística e política de tomar um objeto criado pelo capitalismo, distorcer seu significado e uso originais, a fim de produzir um efeito crítico) são alguns dos conceitos que guiaram os diversos profissionais ligados à arte sonora presentes em Madri.

Temática semelhante deverá estar presente na próxima edição do Festival arte.mov, dando continuidade à reflexão iniciada com a exposição “Ruído de Fronteira”, que aconteceu em novembro último como parte integrante do Festival arte.mov e do Eletronika. A mostra incluiu diversas questões em torno da ideia de ruído e de outras “imperfeitções” sonoras, que permearam as mídias analógicas e continuam presentes, de diferentes formas, nas mídias digitais, deixando claro que o ruído, muitas vezes, já não mais se contrapõe à informação, mas se torna uma parte desejada da mesma.